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Atuação / Complicações Cirúrgicas

Conheça abaixo as principais complicações de cirurgias do quadril.

Luxação de prótese de quadril

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A luxação da prótese de quadril (ou instabilidade) é uma complicação grave da cirurgia de artroplastia do quadril e precisa ser tratada com urgência. Luxação é a perda da congruência articular, ou seja, a cabeça da prótese deixa de se articular com a superfície articular do componente acetabular (em outras palavras: “a prótese está fora do lugar”). Quando isto acontece o primeiro sintoma é a dor intensa no quadril, pois a prótese comprime estruturas importantes como os músculos e nervos do quadril, podendo inclusive levar a lesões nervosa, principalmente do nervo ciático. O paciente perde a capacidade de deambular e com frequência precisa ser levado imediatamente ao pronto socorro. A instabilidade é classificada como precoce quando acontece nos primeiros 03 meses após a artroplastia, ou tardia quando acontece após trauma, soltura ou desgaste dos componentes. A instabilidade, ou seja, o risco de

luxação é maior nas primeiras 5 semanas após a artroplastia, sendo que 70% acontecem no primeiro mês após a cirurgia. O sexo feminino apresenta maior índice de luxações (duas vezes mais que em homens). Uma vez diagnosticada a luxação, é preciso fazer a redução da luxação (colocar a prótese de volta no lugar correto). Para isto o paciente precisa de sedação, para que o alívio da dor e o relaxamento muscular permitam que o médico consiga desempenhar os movimentos adequados para a redução. No entanto, em alguns casos, não é possível realizar a redução de forma “fechada” e então será preciso fazer uma cirurgia para recolocar a prótese no lugar. A luxação da prótese, quando ocorre repetidas vezes, deve chamar a atenção para as prováveis causas da luxação recorrente (mau posicionamento dos componentes da prótese, flacidez muscular do quadril, paciente desempenhando movimentos que foram contraindicados após a cirurgia, desgaste da prótese etc). No caso de mau posicionamento da prótese ou desgaste é essencial que seja realizada uma revisão da prótese (troca da prótese) para reposicionar seus componentes, a fim de evitar novos episódios de luxação.  A depender do caso e do perfil do paciente, serão necessárias próteses especiais para reduzir o risco de luxações como a prótese de dupla-mobilidade ou as próteses constritas.

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Infecção de prótese de quadril

A infecção de artroplastia de quadril é uma complicação grave e muito temida pelos cirurgiões de quadril. É uma urgência ortopédica e exige tratamento rápido com limpeza cirúrgica e antibioticoterapia. Nos casos mais graves é necessário retirar a prótese de quadril, temporariamente, até que a infecção esteja curada, para então reimplantar uma nova prótese de quadril. O principal sintoma de infecção em uma prótese de quadril é a dor. Além da dor, podemos encontrar hiperemia local (vermelhidão) e/ou fístulas (orifícios onde há saída de secreções purulentas) localizadas na face lateral da coxa. Existem duas formas básicas de tratamento de infecções de

artroplastia: a revisão em um tempo cirúrgico e a revisão em dois tempos cirúrgicos. No primeiro caso retiramos a prótese infectada, fazemos a limpeza cirúrgica do quadril e reimplantamos a nova prótese em uma única cirurgia. No segundo caso, realizamos a primeira cirurgia para a retirada da prótese infectada, a limpeza cirúrgica do quadril é executada e implantamos um espaçador (semelhante a uma prótese monopolar) revestido com antibiótico e deixamos no quadril durante algumas semanas. Então programamos a segunda cirurgia para retirar o espaçador e reimplantar a nova prótese de quadril. Nos casos mais graves, pode ser necessário remover permanentemente a prótese do quadril do paciente, com o objetivo de tentar controlar a infecção e evitar outras complicações.

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Fratura periprotética do quadril

A fratura periprotética ou seja, uma fratura que acontece ao redor de uma prótese de quadril. A fratura pode ocorrer no decorrer da cirurgia, durante a implantação da prótese, principalmente quando usamos a prótese não-cimentada. Também pode acontecer nos casos de traumas como quedas, acidentes automobilísticos, quedas de grandes alturas etc. Existem critérios a serem avaliados para decidirmos qual a melhor abordagem para o tratamento da fratura. Uma das opções é manter a prótese no quadril e realizar a fixação da fratura com uma placa e parafusos, podendo ou não associar uma cerclagem (“amarração com cabos de aço”) do osso. Outra opção é a revisão da prótese de quadril, quando retiramos a prótese atual e implantamos uma prótese de fixação distal (“passando da fratura’). Trata-se de um procedimento de alta complexidade e que deve ser abordado por cirurgiões experientes no tratamento deste tipo de complicação.

Soltura asséptica de prótese de quadril

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A soltura asséptica de uma prótese de quadril é assim chamada por que a prótese “solta” do osso, mesmo sem vigência de infecção do quadril. Esta complicação é popularmente conhecida como “rejeição” da prótese. Sabe-se que uma das causas da soltura é uma reação biológica (osteólise), que acontece na interface entre o osso e a prótese ou o cimento ortopédico, provocada pela presença de detritos do polietileno (do componente acetabular) nestas interfaces. Outros fatores porem estar relacionados com a causa da soltura como a idade, obesidade, osteoporose, portadores de doenças reumatológicas, mau posicionamento da prótese, preparo inadequado do canal femoral etc. Geralmente a soltura é assintomática, mas em alguns casos o paciente refere dor no quadril, principalmente ao deambular.  Em todos os casos está indicada a revisão de artroplastia do quadril, onde é realizada a retirada da prótese solta e reimplantada a nova prótese de quadril. Se houver atraso no diagnóstico e tratamento, a complexidade do caso pode

aumentar, pois o implante solto pode provocar grandes defeitos ósseos femorais e/ou acetabulares. Sendo assim, no caso de suspeita de soltura asséptica de prótese de quadril é importante ser avaliado por um cirurgião ortopédico o mais breve possível, visando o diagnóstico precoce e o tratamento adequado.

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Falha do implante (prótese de quadril)

A falha ou fratura do implante (haste femoral ou componente acetabular) é uma complicação pouco frequente de uma artroplastia do quadril, mas merece atenção e tratamento imediato. Implantes metálicos quando submetidos a cargas repetitivas e localizadas em regiões de fragilidade tendem a sofrer fadiga, ou seja, fratura. Entre as principais causas estão o mau posicionamento do implante e a baixa qualidade do material e/ou defeitos de fabricação. Nestes casos, é indispensável a revisão de artroplastia do quadril para remover o implante fraturado e reimplantar uma prótese de quadril. A depender do nível da fratura do implante, a sua retirada pode ser desafiadora e exige a atuação de cirurgiões de quadril experientes no tratamento destas complicações.  

Desgaste da prótese de quadril

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O advento das próteses modernas aumentou muito a sobrevida dos implantes, permitindo à maioria dos pacientes períodos de mais de 15 anos com uma articulação funcional e indolor. No entanto, a durabilidade da prótese de quadril pode diminuir devido a uma série de fatores (má qualidade de fabricação dos componentes, mau posicionamento dos implantes durante a cirurgia, grande demanda funcional do paciente etc). Quando o desgaste atinge níveis elevados, pode ocorrer uma “folga” na articulação entre a cabeça femoral e o liner acetabular, o que gera uma instabilidade e um risco

de luxação da prótese de quadril. Uma vez diagnosticado o desgaste e a instabilidade, está indicada uma revisão parcial ou total da artroplastia do quadril. A durabilidade de uma prótese depende, entre muitos fatores, dos componentes do par tribológico (par de materiais que se articulam). Existem cabeças femorais de metal ou cerâmica, bem como liners acetabulares de polietileno e cerâmica. Cabe ao cirurgião de quadril escolher o melhor par tribológico, levando em consideração o perfil de cada paciente, visando a longevidade da prótese e a redução da necessidade de futuras revisões de artroplastia.

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Cut-out

O cut-out é uma complicação da cirurgia de correção de fraturas transtrocantéricas ou subtrocantéricas, nas quais são usados implantes do tipo DHS, DCS ou Haste Cefalomedular. Ocorre quando o parafuso deslizante (cefálico) “corta” a cabeça femoral (osso osteoporótico). As principais causas desta complicação são a má qualidade óssea da cabeça femoral (osteoporose) e o mau posicionamento do parafuso cefálico durante a cirurgia de correção da fratura (existem parâmetros que precisam ser obedecidos para o correto posicionamento deste parafuso). É uma grave complicação e precisa de reabordagem cirúrgica imediata. Em grande parte dos casos é necessária a conversão para artroplastia do quadril.

Complicações do tratamento de fraturas transtrocantéricas e/ou subtrocantéricas

As cirurgias de correção de fraturas transtrocantéricas ou subtrocantéricas são desafiadoras e existem riscos de complicações. No caso apresentado nesta radiografia, observamos que houve uma progressão do parafuso deslizante que “rasgou” a cabeça femoral e invadiu a pelve, através da cavidade acetabular. A retirada de implantes como este é um procedimento complexo e que deve ser meticulosamente planejado e executado. Complicações relacionadas ao implante e à técnica cirúrgica podem ocorrer e é importante que sejam abordadas por cirurgiões de quadril experientes no tratamento destes casos complexos.

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Complicações após Pinagem do Colo Femoral

A cirurgia de pinagem do colo femoral com parafusos canulados é realizada para o tratamento de algumas fraturas do colo do fêmur. Em alguns casos, a necrose avascular da cabeça femoral pode ocorrer. Trata-se de uma grave complicação, que causa dor e incapacidade de deambular.  Esta complicação deve ser tratada imediatamente e, em geral, é feita a retirada dos parafusos canulados e da cabeça femoral necrosada, e uma prótese de quadril é implantada.